quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

Sonho de uma noite de outono

Quando eu era adolescente, sempre acordava com alguma música martelando meu cérebro. Lembro que ia para a escola e, todos os dias, perguntava à minha melhor amiga: "Advinha com qual música acordei na cabeça hoje?". Aos meus catorze anos, confesso, muito provavelmente não era nenhuma melodia que merece registro.
Mas há algum tempo isso não ocorria. Com as atribulações da vida adulta, a lembrança matinal de música foi cedendo espaço pela "lista diária". Afazeres vários, pendências a resolver. Um exercício estressante e inútil de quando realizar cada tarefa do dia, sem deixar nada para trás. 
Pois bem, hoje eu acordei, e lá estava ela. A música. Fiquei surpreendida ao despertar de maneira tão leve, meu inconsciente invadindo a manhã com acordes conhecidos e não com ordens imperativas. Tudo bem, foi um título inusitado: "Sitting, wating, wishing" do Jack Johnson. Nem de perto é uma das minhas preferências musicais. Algum tempo depois, lembrei que logo antes de acordar estava sonhando com uma praia ensolarada. Então, o inconsciente puxou a melodia. Veio bem a calhar para o dia outonal de Lisboa, com chuva e frio.