sábado, 16 de agosto de 2014

Revolver (1966)









Minha experiência com Beatles vem de longa data. Filha de beatlemaníaca, eu não consigo lembrar da vida sem os quatro garotos de Liverpool. Talvez meu primeiro contato com uma música do Revolver tenha sido por causa do desenho animado Yellow Submarine, que é também a sexta canção do álbum. Eu costumava assistir esse filme quando pequena.(É, eu sei, um filme pouco usual para se mostrar a uma criança, mas em casa de mãe fanática por Beatles, é assim). 


 
Eu fui literalmente criada assim. Sério, não tô exagerando!



Durante muito tempo, meu contato com Beatles foi tangencial. Como minha mãe sempre gostou muito, eu sabia identificar a banda quando ouvia em qualquer outro lugar. Mas a vontade de conhecer mais a fundo, aprender as letras, saber a história da banda, ou seja, de virar uma beatlemaníaca, veio somente mais tarde. E aconteceu justamente por causa do Revolver.

Lembro de estar remexendo na coleção de vinis dos meus pais e me deparar com esse álbum. Olhei para a capa. Obviamente, já a tinha visto uma dúzia de vezes. Mas não tinha parado para observar. Fiquei um tempo percebendo os detalhes, os desenhos maiores dos quatro beatles e as várias fotos menores de cada um que saiam das cabeças, como se fossem pensamentos. Motivada pela imagem, resolvi baixar o álbum em MP3.

Claro, eu já tinha ouvido aquelas músicas antes. Mas teve um significado novo. Foi a primeira vez que, de fato, me apaixonei por um álbum dos Beatles. Foi quando virei beatlemaníaca. E foi um rumo sem volta.

Considero esse álbum como o amadurecimento do meu gosto musical. Até então eu conhecia Beatles e até gostava, mas nunca tinha dado a importância devida à banda. Coincidentemente, Revolver também marcou o amadurecimento dos Beatles. Esse álbum foi um divisor de águas, quando os quatro largaram de vez o ié-ié-ié e se jogaram no mundo psicodélico.

Pela primeira vez, os Beatles, se envolveram de perto com o processo de mixagem, adotaram muitas inovações nas gravações das músicas, e é isso que criou uma nova sonoridade, mais complexa e diferente dos primeiros albuns. Foi a partir de Revolver que os Beatles pararam de se apresentar ao vivo, pois, à época, era impossível reproduzir todos os efeitos no palco. 


Os destaques do álbum 


Dentre minhas músicas preferidas, Eleanor Rigby ganha disparado. Acho até que a canção dispensa explicações. Ela mostra a genialidade de Paul Mccartney enquanto musicista e compositor. Ele compôs e gravou a música quase inteiramente sozinho. Entretanto, as cordas, que dão a música sua característica tão especial, foram tocadas por oito músicos, em um arranjo incrível feito por George Martin (Aliás,  o que seriam os Beatles sem os arranjos de George Martin? Não foi à toa que ele foi considerado o quinto beatle. Mas isso é assunto pra outro post!).




Eleanor Rigby, no desenho  Yellow Submarine



Taxman é outra especial. Foi quando eu percebi que nem só de Paul e John se fazia os Beatles. George Harrison tem músicas fantásticas! E esse foi o primeiro álbum que a música de abertura foi dele. A temática da canção também é bem interessante, e por isso gosto tanto dela: trata dos abusos dos impostos e taxas do governo inglês. Alguma semelhança com nosso país? 

Taxman: a crítica ácida de George aos impostos britânicos


Por último, preciso falar da pérola de John Lennon, Tomorow Never Nows. Aliás, boa parte das inovações sonoras do álbum vem das composições do John, e dessa especialmente. O efeito, que na minha percepção auditiva é bastante incomum, foi conseguido cortando e colando diversas fitas de gravação. E se ouvirmos bem, a música dá a impressão de ser uma grande colagem de coisas aleatórias.” Ouvi-la, na minha opinião, vale por seu valor inovador para a época e também pelo estranhamento que causa. É uma música nada harmônica, diferente do que normalmente se espera dos Beatles. 

Tomorrow Never Knows: uma dose de psicodelia



Anos mais tarde, em 1996, essa música deu dor de cabeça aos Chemical Brothers. A faixa Setting Sun, com participação de Noel Gallagher nos vocais, foi acusada pelos representantes legais dos Beatles de plagiar Tomorow Never Knows. A gravadora Virgin Records teve que responder judicialmente, e, ao fim do processo, livrou-se da acusação. Mas, na opinião totalmente parcial de uma beatlemaníaca sem nenhuma formação musical, a semelhança é muito absurda! Lembro até hoje quando uma amiga me fez ouvir Setting Sun, me desafiando a lembrar o nome da música dos Beatles, e eu soube na hora. E eu não conhecia Chemical Brothers e muito menos sabia da história do plágio. 

Setting Sun, do Chemical Brothers: mostre a qualquer beatlemaníaco, ele advinhará de onde veio!  

 

Pelas diversas novidades no estilo dos Beatles que começam a partir desse momento, esse Revlover merece ser ouvido inúmeras vezes. Seja no seu ipod, no seu carro, no seu PC ou até na sua vitrola. 





Play list

Lado A

#
Título
Duração
1.
2:39
2.
2:07
3.
3:01
4.
3:01
5.
2:25
6.
2:40
7.
2:37

Lado B

#
Título
Duração
1.
2:09
2.
2:01
3.
2:01
4.
2:15
5.
2:29
6.
2:30
7.



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