Minha
experiência com Beatles vem de longa data. Filha de beatlemaníaca, eu não
consigo lembrar da vida sem os quatro garotos de Liverpool. Talvez meu primeiro
contato com uma música do Revolver tenha sido por causa do desenho animado Yellow
Submarine, que é também a sexta canção do álbum. Eu costumava assistir esse filme quando pequena.(É, eu sei, um filme pouco usual para se mostrar a uma
criança, mas em casa de mãe fanática por Beatles, é assim).
Eu fui literalmente criada assim. Sério, não tô exagerando!
Durante muito
tempo, meu contato com Beatles foi tangencial. Como minha mãe sempre gostou muito, eu sabia identificar a banda quando ouvia em qualquer outro lugar.
Mas a vontade de conhecer mais a fundo, aprender as letras, saber a história da
banda, ou seja, de virar uma beatlemaníaca, veio somente mais tarde. E aconteceu
justamente por causa do Revolver.
Lembro de
estar remexendo na coleção de vinis dos meus pais e me deparar com esse álbum.
Olhei para a capa. Obviamente, já a tinha visto uma dúzia de vezes. Mas não
tinha parado para observar. Fiquei um tempo percebendo os detalhes, os desenhos
maiores dos quatro beatles e as várias fotos menores de cada um que saiam das
cabeças, como se fossem pensamentos. Motivada pela imagem, resolvi baixar o
álbum em MP3.
Claro, eu já
tinha ouvido aquelas músicas antes. Mas teve um significado novo. Foi a
primeira vez que, de fato, me apaixonei por um álbum dos Beatles. Foi quando
virei beatlemaníaca. E foi um rumo sem volta.
Considero
esse álbum como o amadurecimento do meu gosto musical. Até então eu conhecia
Beatles e até gostava, mas nunca tinha dado a importância devida à banda.
Coincidentemente, Revolver também marcou o amadurecimento dos Beatles. Esse
álbum foi um divisor de águas, quando os quatro largaram de vez o ié-ié-ié e se
jogaram no mundo psicodélico.
Pela primeira
vez, os Beatles, se envolveram de perto com o processo de mixagem, adotaram
muitas inovações nas gravações das músicas, e é isso que criou uma nova
sonoridade, mais complexa e diferente dos primeiros albuns. Foi a partir de
Revolver que os Beatles pararam de se apresentar ao vivo, pois, à época, era
impossível reproduzir todos os efeitos no palco.
Os destaques do álbum
Dentre minhas
músicas preferidas, Eleanor Rigby
ganha disparado. Acho até que a canção dispensa explicações. Ela mostra a
genialidade de Paul Mccartney enquanto musicista e compositor. Ele compôs e
gravou a música quase inteiramente sozinho. Entretanto, as cordas, que dão a
música sua característica tão especial, foram tocadas por oito músicos, em um
arranjo incrível feito por George Martin (Aliás, o que seriam os Beatles sem os arranjos de
George Martin? Não foi à toa que ele foi considerado o quinto beatle. Mas isso
é assunto pra outro post!).
Eleanor Rigby, no desenho Yellow Submarine
Taxman é outra especial. Foi quando eu
percebi que nem só de Paul e John se fazia os Beatles. George Harrison tem
músicas fantásticas! E esse foi o primeiro álbum que a música de abertura foi
dele. A temática da canção também é bem interessante, e por isso gosto tanto
dela: trata dos abusos dos impostos e taxas do governo inglês. Alguma
semelhança com nosso país?
Taxman: a crítica ácida de George aos impostos britânicos
Por último,
preciso falar da pérola de John Lennon,
Tomorow Never Nows. Aliás, boa parte das inovações sonoras do álbum vem das
composições do John, e dessa especialmente. O efeito, que na minha percepção
auditiva é bastante incomum, foi conseguido cortando e colando diversas fitas
de gravação. E se ouvirmos bem, a música dá a impressão de ser uma grande colagem de coisas aleatórias.” Ouvi-la,
na minha opinião, vale por seu valor inovador para a época e também pelo
estranhamento que causa. É uma música nada harmônica, diferente do que
normalmente se espera dos Beatles.
Tomorrow Never Knows: uma dose de psicodelia
Anos mais
tarde, em 1996, essa música deu dor de cabeça aos Chemical Brothers. A faixa Setting Sun, com participação de Noel
Gallagher nos vocais, foi acusada pelos representantes legais dos Beatles de plagiar
Tomorow Never Knows. A gravadora
Virgin Records teve que responder judicialmente, e, ao fim do processo,
livrou-se da acusação. Mas, na opinião totalmente parcial de uma beatlemaníaca
sem nenhuma formação musical, a semelhança é muito absurda! Lembro até hoje
quando uma amiga me fez ouvir Setting Sun,
me desafiando a lembrar o nome da música dos Beatles, e eu soube na hora. E
eu não conhecia Chemical Brothers e muito menos sabia da história do plágio.
Setting Sun, do Chemical Brothers: mostre a qualquer beatlemaníaco, ele advinhará de onde veio!
Pelas
diversas novidades no estilo dos Beatles que começam a partir desse momento,
esse Revlover merece ser ouvido inúmeras vezes. Seja no seu ipod, no seu carro, no
seu PC ou até na sua vitrola.
Play list
Lado A
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Título
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Duração
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1.
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2:39
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2.
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2:07
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3.
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3:01
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4.
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"Love You To" (Harrison)
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3:01
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5.
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2:25
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6.
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2:40
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7.
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2:37
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Lado B
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Título
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Duração
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1.
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2:09
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2.
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2:01
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3.
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2:01
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4.
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2:15
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5.
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2:29
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6.
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2:30
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7.
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