Sábado fui ao Rato para o curso de francês, só para descobrir que havia sido cancelado. Fui direto do local da aula encontrar uns amigos no Adamastor, um mirante da cidade ao qual eu nunca tinha ido. Minha primeira intenção foi pegar um metro, mas o dia estava absurdamente ensolarado e até quente para uma temporada de inverno. Resolvi ir andando. Pelo Google maps, não parecia muito longe, 20 minutos.
Foi prazeroso fazer o caminho à pé e descobrir muitas ruelinhas de Lisboa que eu nunca tinha estado. A cada esquina, uma casa antiga linda, uma lojinha cheia de personalidade, um restaurante vegetariano que quis guardar o nome para experimentar. O mapa me surpreendeu quando tive que subir longos lances de escadas, por três vezes em momentos diferentes. No fim, era até óbvio que eles fizessem parte do caminho, afinal, eu estava indo a um mirante. Mas não me aborreci ou fiquei cansada, estava sem pressa, fui devagar observando as artes grafitadas nas paredes perto dos degraus, as casinhas que se escondiam a cada lance, as tascas.
Em uma rua já perto do destino final, comecei a ouvir música. E não era qualquer som, era Jimi Hendrix, "Hey Joe" tocado ao vivo. Comecei a buscar de onde vinha, minha imaginação logo se acendeu pensando que vinha de algum bar, que eu poderia entrar para espiar o concerto. Andei mais alguns metros e não consegui localizar. Foi quando finalmente me toquei que estava vindo de uma casa, era um ensaio de garagem. "Que azar, não vou poder ver a banda", pensei.
Ainda assim, curti o som se espalhando da casa para a rua, para aquele espaço especial da cidade aonde eu colocava meus pés pela primeira vez. Pareceu a trilha sonora perfeita, que habitaria para sempre a memória daquele dia. Lisboa pode até ser a cidade do Fado, e esse estilo musical tem sim todo seu charme e importância. Mas a minha Lisboa combina mais com Jimi Hendrix.
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